Ontem perdi um filho

Ontem meu gato, Thomas, que já estava doente havia um tempo, teve um piripaque e morreu.

Começou há mais ou menos um mês, notamos que ele estava sem comer. Chamamos um veterinário que, pelo telefone, já tinha informado que poderia ser fígado ou gengiva. Chegando aqui ele apalpou e não sentiu nada, concluindo então que devia ser gengivite. Depois de 4 dias dando remédio vimos que ele não se animava a comer. O veterinário veio aqui de novo e dessa vez deu pra sentir um nódulo bastante grande no abdômen. Levei pra Suipa e fiz ultra-som. Acusou que poderia ser uma hérnia. Mostrei o laudo para o veterinário e o mesmo disse que teria que operar. Claro, no estado em que ele se encontrava não seria possível então dá-lhe mais remédio pra ele ganhar forças.

Esse veterinário ficou de pasar lá em casa pra colocar o Thomas no soro mas furou por duas vezes, o que deixou eu e meu pai putos da vida. Liguei pra minha amiga Cecília e ela me orientou a dar AD, da Hill’s, pra ele comer, soro caseiro e um outro antibiótico. Tudo forçado goela abaixo. Senti que ele tinha melhorado um pouco, já tava ficando mais difícil tirá-lo debaixo da cama pra dar os remédios e de alimentar. Mas ontem, 12/11/2009, enquanto eu tomava banho, escutei um miado angustiante e fui ver o que era. Era o Thomas no meio do meu quarto, deitado de lado, parecendo sentir muita dor. Na hora saquei que ele tava tendo um troço. Ele tava se mijando todo (o que já tinha acontecido umas duas vezes antes) e tremelicando um pouquinho. Liguei desesperado pra Cecília que me orientou a dar soro e mantê-lo aquecido.

Depois de dar um pouco de soro ele até se virou, ficando deitado sobre as quatro patas. Senti um grande alívio nessa hora mas sabia que não podia deixar como estava. Sempre fazendo carinho nele, telefonei procurando veterinário perto. Já eram quase 18 horas. Enquanto isso ele ronronava bem forte. Isso que me mata ainda agora, o jeito que ele ronronava. Não sei porque, mas me dá muita angústia. Mesmo depois de dar os remédios de um jeito que ele tanto odiava e colocá-lo de volta embaixo da cama (ele não tinha forças de ir andando numa tacada só) ele ficava ronronando sozinho.

De lá ela procurou veterinário e eu daqui também. Deitei o Thomas na sala enquanto trocava de roupa e telefonava. Ele miava de uma maneira de cortar o coração. Também tentava andar, se arrastando. Não sei se na direção do meu quarto ou se na minha. Achei uma clínica 24 horas bem perto e corri com ele pra lá. Mas ao chegar o coração dele já batia muito fraco. A veterinária injetou adrenalina e fez massagem cardíaca mas não teve jeito. Hora do óbito: cerca de 18:10, horário de verão.

Fiquei arrasado. Ainda estou. Eu tinha o bichano desde os 8 anos. Cresci junto com ele. Era como um irmão, como um filho pra mim. Não queria que morresse desse jeito, magro, com a barriga inchada, mijado, feito um gato de rua qualquer. O pior é que nem sei do que ele morreu, se foi do baço, do fígado, de fome, de remédio em demasia, se foi dos rins, da gengiva ou se infartou.

Liguei pra Cecília pra contar o que havia acontecido. Eu não queria levar o gato morto pra casa, perguntei o que fazer. Disse-me que não lembro onde, acho que não Suipa, faz cremação por uns 9 reais. Perguntei se podia deixar o gato lá. Falou que sim e peguei Metrô e Metrô na Superfície pro Humaitá. É longe, moro em Del Castilho. Chegando lá, ela me consolou e tal parará. Porra velho, essa mulher é foda. Mandou castrar o Thomas sem me cobrar nada, hospedou-o por uns dias na casa dela, me orientou muitas vezes, me emprestou a gaiola que eu usei até ontem. Deve mandar cremar o Tomiquito na segunda, 16/11/2009.

Lá ainda me disse que quando eu quiser posso pegar um gato lá pra adotar. No momento eu não sei se quero outro bicho. Também não sei se é legal trazer um gato ou cachorro pra uma casa impregnada com o cheiro do Thomas. Também não posso deixar de pensar que colocar outro bicho pra dentro de casa tão rápido é como se eu estivesse substituindo o Thomas. Quem aí tem animal de estimação ou um filho sabe que são insubstituíveis, sempre. Vai depender do meu irmão e do meu pai. Se eles quiserem, tudo bem. Se não quiserem, amém.

O que me leva aos pertences do Thomas. Cumbuca de água, de ração, caixa de areia, ração, areia, remédios. Os remédios não me servem de nada, devo dar pra Cecília. O resto vai depender se teremos outro gato ou cachorro. Se não, vou dar ou pro Heitor, que tem três gatas, ou pra Cecília, que tem um zilhão (já elaboro nisso). Sobraram duas latas de AD também. Puta troço caro.

Vim pra casa e contei o que houve. Lavei as coisas do Thomas. Nem jantei. Quero que o mundo se foda.

Pior que fica aquele sentimento de culpa. Devia ter reparado antes que ele tava ficando magro. Devia ter corrido pra outro veterinário depois que dispensei o primeiro. Não devia ter relaxado quando ele melhorou com o AD. Se isso, se aquilo, agora é tarde. Dica: SEJA neurótico.

Sabe o que me dá mais raiva? Só tenho UMA foto dele. UMA. Comprei a câmera tem pouco tempo, vou contar isso no post seguinte. Eu ficava pensando "Thomas, você não pode morrer ainda, tem que ficar bom pra eu tirar muitas fotos de você saudável". Estúpido. Como eu sou ingênuo. Eu sempre soube que ele podia morrer, nunca me enganei quanto a isso. E mesmo assim resolvi esperar ele melhorar. Só tirei essa única meio de bobeira quando tava brincando com a máquina. Pelo menos uma, né? Até tem outras de quando ele estava bem de saúde no celular do meu pai mas não consigo descarregar o puto de jeito nenhum. Tem umas ótimas lá. Vou ver se descarrego na casa de um amigo.

Meu conselho? Se você tem um bicho de estimação, seja qual for, vá lá correndo dar um abraço, um beijo, faça mil cafunés, tire fotos e grave vídeos até enjoar. É bem provável que seu bicho morra antes de você e, se não deu pra perceber, passar por isso é uma barra muito grande. Construa essas memórias pra não se arrepender feito eu.

Esse é o Thomas, na foto que mencionei. Dá pra ver na lateral dele como está magro. Probrezinho, não merecia morrer assim. Fazer o quê? Fica a saudade. E só. Nunca mais vou chegar em casa e ele vai vir correndo pro meu colo. Nunca mais vou escutar seu miado pedindo comida e seu ronronado após ganhar. Adeus, Thomas, te amo pra caralho.

Porra, minha ficha ainda não caiu. Que merda.

 

Prólogo

A Cecília tem um zoológico em casa. É sério, eu já estive lá. Muitos e muitos gatos, muitos e muitos cachorros, camundongo, papagaio, galinhas. Tem até um gavião. E um furão! Espaço até sobra, ela mora numa cobertura no Humaitá, não é pouca merda. Cacete, a casa dela é grande pra caralho. Muito. Dá pra se perder. Dá nervoso. Dentre os gatos e cachorros há os que são dela e os que ela pega na rua ou vão de outra maneira parar sob os cuidados dela, que são pra adotar. O perfil dela de orkut é http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=10345843264895310139 lá tem fotos dos bichos que estão pra adotar. Ela pega, cuida, põe o bicho de pé. Se alguém se interessar deixa um recado pra ela.

Só tenho que agradecer muito à Cecília por tudo o que fez por mim até hoje.

 

Ah e por sinal passou da meia-noite aqui, o post vai sair no sábado mas era pra ser na sexta. Grande coisa.

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2 respostas para Ontem perdi um filho

  1. Johnper disse:

    Ele não morreu como um gato de rua.
    Você cuidou dele.

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