Kare Kano e de quebra Marvel Ultimate Alliance 2

Moçada, todo mundo pra trás.

O que vai acontecer é o seguinte: não vou mais postar em inglês. Não tenho mais saco pra isso. E como o principal leitor sou eu mesmo, não há razão para postar em inglês, salvo apenas se o post só faça sentido em outra língua. Além disso, eu e Alexander (cujo blog é esse e tem um link ali na direita também) vamos de vez em quando fazer semi-reviews pseudo-críticos em tempo quase real de jogos toscos. As comparações com o sensacional Angry Videogame Nerd serão inevitáveis mas foda-se. O que ocorre é que vira e mexe eu vou na casa dele e rola seção de gaymes tts e outros nem tão ruins. Hoje vou contar minhas peripécias do fim de semana que se passou.

Antes de mais nada, é altamente recomendável que você seja razoavelmente versado em

Anteontem o Alexander me chamou pra ir na casa dele. Demorou, disse eu, mas só se tiver um jogo tt pra gente jogar :D. Depois de pensar me lembrei que tinha Altered Beast pra PS2, ele deixou baixando enquanto eu ia pra lá. Cheguei por volta das dezoito e trinta, ele tava jogando Persona 3. Ficamos um tempão conversando sobre a vida, passando pelo passado, Teoria das Supercordas, didática e Teoria Quântica segundo Tomb Raider.

Como a besta alterada ia demorar muito ainda pra baixar ficamos vendo Kare Kano conforme recomendação do Alexander. Ih porra ele me falou na hora e também lembrei agora que ainda não devolvi o Card Captors Sakura dele :( Enfim, logo de cara dá pra perceber que Kare Kano já tem uma certa idade (Wikipédia me diz que a animação é de 1998) por causa do traço e das cores mas é claro que isso não faz a menor diferença, só me chamou a atenção. Pelo o que eu entendi, a personagem principal éYukino Miyazawa, uma estudante de segundo grau que, durante toda a vida fez pose de garota perfeita. É, daquele tipo que só existe em história pra boi dormir: educada, inteligente, prestativa, prendada, carismática. Manja aquelas colegas que você já teve ou ainda tem que não podem escutar alguém falar "pinto" sem ficarem ruborizadas e sem jeito e por vezes soltar um "ai, que isso"? É, Yukino Miyazawa tem a exata personalidade que elas queriam ter ou queriam que os outros pensassem que elas tem. O que é justamente o ponto. A menina perfeita é uma farsa, uma fachada que rende a Yukino muitos elogios. E, aparentemente, ela é movida a elogios e precisa ficar permanentemente no centro das atenções e no topo da cadeia alimentar. O foda é que ela sabe e se orgulha muito disso. Ela é uma puta mesmo.

Nunca houve ninguém capaz de competir com ela. Ela estuda pra caralho pra manter as boas notas, o que seria louvável e admirável se a motivação fosse menos mesquinha. Lá pelas tantas entra Soichiro Arima, um carinha que parece ser ainda mais perfeito que ela. Agora se você não gosta de nenhum tipo de spoilers, pule pro próximo parágrafo; se não incomoda de ter a história adiantada de leve, continue. Acaba que Arima sem querer descobre o esquema de Yukino e a chantageia obrigando a  fazer trabalhos escolares. Fica claro então que Arima não é esse bom moço que aparenta mas a chantagem era só uma desculpa pra ele ficar junto da Yukino. No fim, ela continuou a ajudá-lo já que virou rotina mesmo. A cada dia eles percebem o quanto tem em comum e como nenhuma outra pessoa os compreende como o outro. Óbvio que acabam se apaixonando e namorando. O namoro é bem aquela coisa "ele é meu príncipe encantado" e "ela é a razão de minha vida" feito Chico Bento e Rosinha. Depois vai melhorando, eles saem, se beijam e pans. Há crises existênciais e outras frescuras de ambas as partes no meio do caminho mas o maneiro é a imersão de pensamentos que cada um tem. Um pensamento leva a outro, que leva a outro, que leva a uma conclusão, e isso dá o tom das ações escolhidas. Isso acontece o tempo inteiro desde o primeiro episódio. Fica muito maneiro que desse modo eles vão descobrindo coisas que nunca perceberam sobre si mesmos e como isso os afetará individualmente e como casal daqui pra frente. Só vi até o episódio 7 eu acho, a essa altura já chegaram os outros personagens cujo propósito é fuder com os mocinhos. Faz parte. Vou terminar de ver aos pouquinhos.

Aí fomos ver Tropa de Elite >:D Alexander pediu pra sair no meio. Eu
vi até o final e depois mais um pouco de Kare Kano. Quando deu 3 da
manhã eu desisti. Acordei eram umas nove horas, fiquei procurando o CD do SF3: Third Strike até que o Alexander acordou. O Altered Beast ia demorar ainda então ele terminou de baixar e gravou Marvel Ultimate Alliance 2.

De fato não parece ser muito diferente dos outros jogos do gênero. Se você já jogou o primeiro ou X-Men Legends não vai ter a menor dificuldade de adaptação. Você começa com Homem-Aranha, Homem de Ferro, Capitão América e Wolverine na equipe e Nick Fury de NPC. A idéia é invadir um castelo num país obscuro aí a troco de chutar um traseiro malvado. Beleza, o X bate, bola concentra porrada, triângulo pula e quadrado é o botão de agarrar e de ação. Eu prefiro mil vezes o X pulando, acho muito mais intuitivo mas firmeza. A porrada começa a comer e logo o jogo começa a dar o mais alarmante sinal de ser ruim: a câmera. Que bosta. Eu não consigo compreender como, a esta altura do campeonato, os designers ainda conseguem entregar um jogo em que a câmera é uma merda. Puta que pariu, será que com quase quinze anos de games em 3D já não dava pra sacar que a capacidade de ver o que caralho você está fazendo do ângulo e distância mais favoráveis ou do jeito que te der na telha é um fator muito mas muito importante na recepção de um jogo? E porra, com tantos exemplos bons por aí, feito Super Mario 64. God of War não te permite controlar a posição da câmera e mesmo assim não há do que reclamar. Isso porque em nenhum momento a câmera é posicionada de modo que sua visão fique bloqueada ou prejudicada. Já no Marvel, há um momento em que você atravesa uma ponte de treliça. Ao chegar nela a câmera se posiciona perpendicularmente ao comprimento da ponte e uns caras maus vem apanhar. Estaria tudo bem se a porra da treliça ficasse transparente nesse segmento. Basicamente o que essa parte me diz é "estamos sendo atacados por caras maus e eles estão jogando vigas de ferro em nossos olhos". Como é possível deixar isso acontecer na primeira fase?

Fica pior, a  câmera dança pela tela o tempo todo, tornando difícil ir onde você quer. Tudo bem que, como é um jogo cooperativo de tela partilhada, é preciso considerar que nem sempre os movimentos dos dois jogadores são coordenados e situações em que a coisa não anda porque um ficou preso entre uma parede e o fim da tela surgirão invariavelmente. Mas é fato que poderia ter sido feito um trabalho melhor. Tome o God of War como exemplo novamente. A camêra muda repentinamente de posição o tempo inteiro mas isso nunca te atrapalha porque a nova posição é boa, o jogo não cria situações em que sua visão fica prejudicada e a movimentação é mantida na perspectiva da câmera anterior. Isso quer dizer que, se eu estou indo numa direção e a câmera muda para outra diametralmente oposta, o Kratos não vai virar 180 graus, me fazendo voltar para a câmera anterior, gerando uma nova meia volta e o ciclo não vai se repetir até eu largar o controle atordoado. Em vez disso, ele vai continuar indo na mesma direção de antes e se movimenta como se a referência ainda fosse a câmera anterior até que eu deixe o manete neutro, resetando a referência para a câmera atual. Não sei se foi GoW que inventou isso mas é extremamente útil e todo o jogo que possa usar o sistema deveria fazê-lo. Conclusão: a câmera do Marvel ainda por cima cria situações em que você anda na direção da tela da TV. É muita estupidez e, de novo, na primeira fase.

O chefe do primeiro nível é o Electro (pensei que era o Shocker quando vi), ele faz um comentário depreciativo sobre as fantasias dos heróis. ORLY? Só nós tamos fantasiados? Que tentativa horrenda de humor irônico. O que me lembra que, às vezes, o Homem-Aranha fala algo tipo "você etá sendo derrotado por um cara numa fantasia assim assim". Sério? Dá vontade de bater no cara que escreveu o script. Ah sim, a piranha que comandava a parada morre numa explosão. Ai corta pra Torre Stark, dá pra acessar uns computadores lá com informações, quiz que dá XP e coisas mais que esqueci. O fato bizarro é que quando você desloga de um computador, o jogo precisa carregar novamente. Um saco, ainda mais pelo loading levar uns 30 segundos. Deveriam aprender com Okami, que tem minigame durante o loading (idéia genial), e você ainda ganha item no minigame. Mas o bizarro não é isso. A tela fica preta com "Loading" no canto esquerdo. Depois disso aparece um desenho qualquer com "Loading" do outro lado. O JOGO TEM LOADING ANTES DO LOADING!! Eu nunca ouvi falar disso na minha vida. Chega a ser engraçado… precisa ler pra poder ler. Tipo o paradoxo Experiência x Oportunidade do mercado de trabalho. Ainda na tela de Loading aparece uma diquinha de gameplay, feito X O X é um combo que termina em rasteira. Ah vá, os designers acharam melhor te ensinar a jogar nas telas de loading em vez de ter um modo de treino. Ou seja, se você não tomar o cuidado de observar a tela de controles só vai descobrir que L1 defende na quinta fase.

Em vez de modo treino, de vez em quando aparece uma mensagem na tela dizendo como fazer alguma coisa. Por exemplo, como usar os poderes especiais, como agarrar, como usar os fatais combinados. Não é uma idéia necessariamente ruim mas foi pessimamente executada. Primeiro, a caixa de texto delas é enorme, ocupa fácil um quinto da tela e fica bem no meio. Segundo: elas só aparecem quando o pau tá comendo! Isso te força a ler e apanhar ou deixar de aprender um fundamento do jogo pra não morrer. Terceiro: o texto some se você apertar X. Levando em consideração que X é o botão de porrada, não é exagero algum concluir que ele será pressionado milhares de vezes, especialmente quando há inimigos na tela, que é justamente quando as mensagens aparecem! Novamente, ou você lê e perde vida ou salva a pele. Vai tomar no cu. É que nem no Simon’s Quest, quando você pega um pergaminho e acidentalmente corta o texto.

Bom, lá na Torre Stark você recebe a próxima missão, que é detonar de novo a putinha de antes. Aparentemente ela sobreviveu graças a implantes cibernéticos. Beleza, vamos lá. Loading… cacete, porque eu estou na Torre Stark ainda? Não podia começar direto na missão? Não tem porra nenhuma pra fazer aqui além de levar esporro do Nick Fury e do Iron Man por ainda estar aqui. Então vamos pegar o transporte pra área da missão. Porra, loading de novo. Para adicionar insulto à injúria, cada vez que troca de área o jogo dá um quicksave a título de checkpoint. Tudo bem, checkpoints são nossos amigos mas criá-lo leva mais 5 segundos de espera logo após a tela de loading. Ou seja, quando você pensa que finalmente vai pôr a mão na massa tem que eperar mais ainda. Não consigo descrever o quão anticlimático isso é. Muito parecido com o Simon’s Quest quando há a transição do dia para noite e da noite para o dia. A idéia da missão é resgatar os civis que estão presos nos escombros da cidade. A destruição foi causada pela puta ciborgue. Porrada vai, porrada vem e algumas vezes somos quase atropelados por casos de civis o que devo reconhecer que é engraçado pra caralho, a gente riu muito alto. Fudeu, eles viram a gente… atropela! Atropela! Avançando, a puta aparece em sua forma metade robô falando que vai se vingar, um puta papo xarope. O que não dá pra engolir são as costelas dela, que estão aparentes. Ah, então é uma vadia…ciborgue…zumbi? Alguém andou assistindo Tarantino demais.

Depois de salvermos todos os civis ficamos literalmente meia hora tentando descobrir o que fazer me seguida, sem sucesso. Depois de esgotar cada possibilidade concluímos que o jogo bugou e carregamos o último save. Puta que pariu, vamos fazer o quiz de novo. De fato o jogo encrencou e pudemos enfim avançar até o chefe da fase, a puta. Só que ela é impossível pra caralho. Ela fica gerando robôs kamikazes escrotos pra caralho. Acompanhe o raciocínio: imagine um inimigo que se encostar em você, explode causando um caminhão de dano. Multiplique isso por uma penca. Pronto. Oh, mas você pode acertá-los de longe. É verdade mas nem todo personagem lança mägias e, além disso, elas gastam barra de mana (ou de especial, ou de ki, ou do que você quiser). A explosão pega muito longe e dá dano absurdamente exagerado. Pra você ter uma idéia, a porrada DO HULK tira em torno de 12. As porradas que você leva de um inimigo comum tira de 1 a 9. As explosões causam 15 pontos de dano. Desistimos de ganhar dela. Admito que provavelmente há algum meio que não conseguimos enxergar mas a impressão que dá é que o malandro que projetou aquela fase brigou com a esposa.

Largamos uma bosta e fomos jogar outra bosta, Neogeo Battle Coliseum. Mas os contras foram maneiros. Pena que arrebentei meu controle :( Nove da noite vim pra minha casa. Fiquei lendo Bleach no caminho. Relendo, na verdade. Hoje li mais alguns e parei no 14. O último que comprei foi o 27, que ainda não li. Depois vou reler o Tsubasa Chronicles Reservoir também, ainda não li o 33 e o 24 (que pulei sem querere só notei recentemente).

E o Altered Beast tava baixando ainda.

[edit em 14/09/2009]
Ah porra esqueci uns bagulhos.

No sábado acho que só vimos anaimes mesmo, nem jogamos. Depois do Kare Kano e antes do Tropa de Elite fomos ver o segundo filme de Card Captors Sakura: A Carta Selada. Ele é bem maneiro mas é foda que mudaram a dubladora da Sakura, que era a lendária que também dublou a Serena em Sailor Moon. Se alguém souber o nome dela avisa por favor! Mudaram a voz da Mei Ling também mas quem liga? Aí, por pura babaquice, resolvemos assistir ao filme com o áudio original e legendas em português. Estranhamente, o narrador ainda fala "numa distribuição blá blá blá Estúdio Gabia… Sakura Card Captions". E, tristemente, depois de duas frases nota-se que a legenda é exatamente o script da dublagem. E tem umas falas que você claramente percebe a tradução foi falha (e a revisão também). Por exemplo, tem uma hora que a Sakura chega em casa e diz todaima (querida, cheguei) ao passo que o Kero responde okaeri[nassai] (bem vindo ao lar). Versão dublada: – Já cheguei, Kero, – Tá bom, Sakura. Foda, viu. É o que eu sempre digo, são três incompetentes: o que fez, o que aprovou e o que comprou.

Uma coisa interessante de se notar é que a entonação e modo de separar as frases usada nos anaimes, que a mim, pelo menos, soa bastante estranha, é a mesma no jeito deles de falar. Eu percebi isso quando vi no Youtube as eliminatórias e finais do torneio que rolou em 1998 de Street Fighter Alpha 3 no Japão. Os apresentadores falavam igualzinho a um anaime, chegava a dar nervoso. Isso me fez perceber como a entonação é parte integrante do sotaque de um povo e não só a diferença de pronúncia. Um nativo do Rio de Janeiro faz do S em fim de sílaba um X e -te e -ti viram tchi. Em São Paulo, o R em fim de sílaba é arrastado. No Nordeste, quase todas as vogais são mais arrastadas e as consoantes são pronunciadas como um estrangeiro esperaria (nada de tchi e similares). Porra, deve ser difícil pra caralho falar outra língua sem sotaque. Por mais que aprenda a pronúncia correta e o vocabulário seja humilhante, a entonação e separação das palavras é uma parada mais complicada de se pegar e acostumar. Ao menos para mim é isso o que aparenta.

No domingo jantamos comida japonesa uhú! Sempre tive curiosidade de saber como é e devo dizer que… o tal peixe cru não me impressionou. Não era ruim mas não me deixou ávido por terminar o prato também. Parece que o gosto vem com o hábito mas considerando o quão cara é uma porção de sushi, eu fico com meu arroz e feijão.
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Uma resposta para Kare Kano e de quebra Marvel Ultimate Alliance 2

  1. Vinícius disse:

    Eu já zerei o Marvel Ultimate Alliance 2 e pra mim aquela puta foi bem fácil. Mas eu usei um código pra ter todos os personagens e botei o Duende Verde na equipe e usei as abóboras nela, daí apareceu uma bomba e eu usei as abóboras na bomba, e ela ficou se lamentando e explodiu.

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